Em Timóteo: Vendedoras de água de coco choram no Centro Norte e uma passa mal após mais uma investida dos fiscais da prefeitura

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Cabisbaixa, vendedora de água de coco se contém para não chorar em plena praça pública

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A novela de gosto assassino, indecente, aviltante, repugnante, acre, indigesto aos justos, e execrável, protagonizada por fiscais da prefeitura se arvorando contra as indefesas  vendedoras de água de coco, no Centro Norte,  teve mais um capítulo fantasmagórico  na tarde desta quarta-feira, capaz de corar de vergonha, atiçar os instintos primários e castigar de dor quem teve a tristeza de assistir. Existem os áulicos e supostos poderosos que fazem da coisa e função públicas, muitas das vezes, a descarga de suas frustrações. Aqueles seres, tão hipocritamente homenageados na Semana da Mulher, foram submetidos ao vilipêndio, a humilhação e ao constrangimento público.

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Amparado por Policiais, um fiscal abordou as vendedoras e apreendeu seus modestos materiais de trabalho, dentre eles os carrinhos utilizados para a venda do líquido. A ação gerou constrangimento público àquelas mulheres  que passam consideráveis horas fora de casa garantindo o sustento de filhos e netos com a venda do produto. Mulheres que não se derretem ante a efemeridade de cargos e às quais não é oferecida a dispensável oportunidade de adentrar o clube das elites dominantes que mastigam ódio contra quem ameça seus castelos em montes de areia.

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Populares revoltados e assustados com o roteiro do filme de terror implantado no Centro Norte há alguns meses, em uma afrontosa ação contra a solidariedade que a primeira investida deles provocou na população, não encontraram termos suficientes para expressarem a indignação que a ação dos homens da prefeitura provocou. As pessoas se continham para não extravasarem o ódio gerado pelo gesto desumano dos  servos fiéis do  governo da cidade. Aquela atitude altamente discutível foi o deboche e um tapa na cara da população que defende as vendedoras da água que mitiga a sede, a sede de quem quer justiça e até de quem não está nem ai para ela.

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Para alguns a atitude daqueles fiscais contrasta com uma política que deveria ser voltada para a geração de empregos e renda.  Aquelas mulheres, ali, ganham a vida vendendo água de coco. Uma delas, a Neguinha, foi exposta a um sol causticante no ponto onde atua, a lateral de uma agência bancária, depois que algumas árvores foram criminosamente cortadas. Não houve quem não creditasse o corte daquelas árvores a alguém aliado dos homens que atormentam a vida das mulheres alvo de mais uma covardia na tarde desta quarta-feira.

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A população, naquele instante, cobrava a manifestação dos agentes eleitos para representar o povo na casa legislativa da cidade. A ação que a população aplaude não é a da suposta intermediação para liberação do que é apreendido. É não poder apreender. É não apreender. A população espera leis que coíbam atitudes daquela natureza que expõe pessoas ao ridículo. A população espera a manifestação ousada dos edis sobre esta novela, ou melhor, este filme de terror. A população espera que não haja pacto que gere silêncio ante uma ação que a comunidade repudia. 

As vendedoras de água de coco choravam copiosamente desoladas ante a investida dos fiscais. Nos olhos as lagrimas de quem viu seu material sendo apreendido como se fosse pertence que comprovasse uma conduta ilícita. Aquelas lágrimas escorriam na face de trabalhadoras que sabiam da dificuldade que teriam para, paradoxalmente, resgatar seus carrinhos. De acordo com elas, após estas ações,  é  preciso desembolsar cerca de R$300 reais para terem o pertence de volta. Mas por que liberam? Como liberam? Que critérios são adotados para serem liberados? 

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“Se eles apreendem os carrinhos por que liberam eles mediante pagamento”?,  perguntou um senhor fazendo coro com populares que colocavam em dúvida a seriedade da ação dos fiscais.

Um jovem, que pediu para não ser identificado, argumentou que “estas apreensões estão estranhas”. Ele teme que seja algo orquestrado com algum vereador para que este se apresente como o elemento capaz de interceder pelas liberações dos materiais apreendidos. Mente fértil deste rapaz?

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Nas redes sociais, o palanque do povo,  o assunto ganhou força e argumentos de quem não concorda com fato daquela natureza. “Hoje me deparei com esta cena (apreensão dos carrinhos) e fiquei horrorizada”, comentou um internauta.

Enquanto isso, a poucos metros dali, na avenida Miguel Maura, sentido Serenata, carros tomam conta do passeio e, pelo que se comenta, seus condutores não são incomodados pela atitude. Talvez se fossem movidos a água de coco seriam apreendidos.